sexta-feira, 16 de abril de 2010

Aqui

Sentado olho em volta, sem reconhecer aquilo que já foi meu. Olho a estrada lá fora, e vejo que os carros frenéticos continuam a passar, a ir e a voltar, porque parecem os mesmos, provando que a vida continua.
Numa imagem sem sentido, cai a água em cascata, num monumento sem sentido, que grita, geme e chora, mas para a qual ninguém olha. As pessoas que caminha nas escadas e passadeiras rolantes decidiram que não tinham tempo a perder com aquela água que, agora absurdamente, cai...
A minha volta mesas vazias; cadeiras vazias. Já pertenceram a alguém? Sim, da mesma forma que uma prostituta pertence ao seu amante até este decidir partir. Triste sina a das coisas pagas a preço de dinheiro!
Imagino que já tenha estado aqui alguém antes... Que se eu tivesse chegado um pouco mais cedo, só um pouco mais cedo, estaria rodeado de sonhos e ilusões, como de decepções e tristezas... enfim, de pessoas...
Chegou agora mais um! Esperanço-me, em vão; a sua cara não me é conhecida, e ele também se não encaminha para a cadeira, vazia, na minha frente... Olho em volta. Procura mais alguém; procuro um mero ar de cumplicidade. Será de mais pedir um sorriso?